Histórico

A história da Associação Capela Nossa Senhora da Conceição começa muito antes de se pensar em celebrar a Missa de São Pio V em Niterói. A origem desta Capela está num grupo de católicos do Rio, reunidos em torno da pessoa de um grande escritor e jornalista, falecido em 1978, chamado Gustavo Corção. 
 
A obra deste escritor foi relegada ao esquecimento, devido à sua posição católica tradicional, defensor de tudo o que se relaciona com o nome católico, combativo polemista contra os progressistas que conseguiram desfigurar completamente a Igreja, espalhando pelo mundo uma doutrina contrária ao que a Igreja ensinou ao longo de dois mil anos.

Gustavo Corção reuniu em torno de si um grupo de amigos, que costumavam assistir suas aulas no antigo Centro Dom Vital, na década de 60. Eles fundaram assim um movimento chamado Permanência, que editou uma revista católica por vinte e dois anos, de 1968 a 1990. 

Nos anos 70, com o aparecimento da Missa Nova, Corção foi vendo que não havia mais uma linguagem católica nas paróquias, que a Missa inventada pelo Papa Paulo VI, se afastava drásticamente da doutrina de sempre (ver a Carta do Cardeal Otavianni a Paulo VI), que os padres pareciam enlouquecidos, derrubando todas as barreiras que haviam defendido a Santa Igreja contra a heresia e as quedas morais.

Gustavo Corção durante uma conferência Começaram, então, a procurar padres sérios que aceitassem celebrar a Missa de São Pio V, num convento de irmãs terciárias que gostavam muito de Gustavo Corção. Com isso, as famílias desses amigos se reuniam todos os domingos para permanecer fiéis à doutrina e à Missa de sempre. É claro que as aulas de Corção, nas segunda-feiras, eram também momentos de grande elevação para todos, como ficou registrado em mais de uma centena de fitas K-7.

Depois da morte de Gustavo Corção, essa missa escondida foi denunciada ao Cardeal do Rio, Dom Eugênio Sales, e o padre não quis mais celebrar, com medo de ser expulso da diocese. Todo culto ecumênico encontra favores na diocese do Rio, mas a Missa de S. Pio V não pode, em hipótese alguma, ser celebrada. 
 

Iniciou-se assim uma época de grandes sofrimentos para essas famílias, abandonadas por seus pastores, sem poder assistir a uma missa decente. Só os padres da Fraternidade S. Pio X, fundada por Dom Marcel Lefebvre, vinham em socorro desses fiéis, quando passavam pelo Rio de Janeiro, a caminho de Buenos Aires, onde há um Seminário da Fraternidade. Mais tarde, Dom Antônio de Castro Mayer, então bispo de Campos, R.J., já tendo abandonado e rompido com a TFP, passou a socorrer também esses fiéis.

Esse pequeno grupo de fiéis formados por Gustavo Corção, começou a dar frutos. As vocações começaram a aparecer, chegando a haver seis jovens, entre rapazes e moças, nos mosteiros tradicionais da França, no início dos anos 80. (Em 1998 foi ordenado o quinto padre saído da Permanência, número espantoso para tão pequeno grupo de famílias.) Com isso foi fundado em Nova Friburgo o Mosteiro da Santa Cruz, em 1987, que passou a ajudar também os fiéis do Rio de Janeiro, que já tinham conseguido fundar uma capelinha, no Cosme Velho, dedicada à São Miguel Arcanjo.
Desta ajuda concretizou-se a ida para o Rio de um dos monges de Friburgo, Dom Lourenço Fleichman, OSB, que passou a ser capelão da Capela São Miguel, do movimento Permanência
 

Nesta capelinha do Cosme Velho vinham duas ou três famílias de Niterói, todos os domingos, assistir à Missa de S. Pio V. De vez em quando os niteroienses pediam ao padre que celebrasse também em Niterói, mas não havia meios de se conseguir um local adequado. Chegou-se a procurar casas para vender, mas tudo era muito caro. Foi tentado um acordo com a Fraternidade S. Pio X, para que se fizesse um capela para ela no Rio. Mas tudo era bloqueado por mil dificuldades. 
 
Até que uma das famílias conseguiu do condomínio onde morava a permissão para celebrar a Santa Missa no salão de festas do condomínio, domingo de manhã. O local era relativamente digno, e rapidamente organizou-se uma capelinha portátil. Assim começou, num prédio do bairro de Santa Rosa, dia 8 de dezembro de 1991, festa de Nossa Senhora da Conceição, a Capela que recebeu a Virgem Imaculada por padroeira.

Rapidamente a notícia correu, e o número de fiéis cresceu. Em agosto de 1992 já eram mais de quarenta pessoas. No final deste mesmo ano, sessenta. Nesta ocasião foi necessário procurar um outro local, pois o condomínio queria reativar os brinquedos do playground, que ficava ao lado. Depois de alguma procura, foi encontrada uma casinha no bairro Fonseca, que não precisava de obra nenhuma para se poder celebrar a Santa Missa. Durante a novena de Nossa Senhora da Conceição, nas vésperas da festa, era pago o sinal para a compra desta casa. 

A Associação ficou nesta casa por mais um ano e pouco. Rua muito festeira, com muita música e atividades ruidosas, não era bem um local apropriado para se desenvolver uma obra religiosa. Mas foi ali que o grupo de fiéis se firmou, os sábados passaram a ser de atividades culturais, terminando com a recitação do Terço. As crianças já formavam três turmas de catecismo. Mas era preciso procurar um local mais adequado. O padre voltou-se para bairros como Santa Rosa, ou Centro, pensando em facilitar a locomoção da maioria dos fiéis, que aí moravam . Mas Nossa Senhora tinha outros planos.

Durante o carnaval de 1993 realizáva-se na Capela a Hora Santa e a Missa. Depois era servido um café da manhã. Na terça-feira um dos fiéis apresentou um jornal de quinze dias passados, anunciando um terreno em Pendotiba a um preço muito bom. Fomos todos visitar o terreno. Havia cerca de vinte pessoas. Todos gostaram muito. Era um sítio de 37.000 metros quadrados, um pouco montanhoso, mas agradável e silencioso. Porém, só havia a casinha do Fonseca como fonte de renda, e se ela fosse vendida, não haveria onde se celebrar a Missa. Diante do impasse, foi comunicado ao proprietário que não haveria como pagar o valor pedido. Mas Nossa Senhora queria para ela aquele lugar. O proprietário compreendeu a situação e pediu um pequeno sinal, deixando o saldo para um ano depois! E isso numa época de hiperinflação.

Imediatamente foi feito um generoso donativo que permitiu a construção de uma sede que abrigaria uma capela provisória, salas de catecismo, quartos para retiros espirituais e dependências. Tudo foi feito em um ano e dois meses. Aí, nesta casa, a Associação desenvolveu-se ainda mais. Novas famílias se aproximaram, novas turmas de catecismo, festa junina, colônias de férias, passeios diversos.

Hoje a Capela faz parte integrante da vida dessas famílias, que puderam ali aprender a viver o catolicismo dentro de suas casas. As crianças das primeiras turmas de catecismo já estão grandes, com dezessete ou dezoito anos. Terminaram o catecismo e já assistem conferências de nível elevado, que lhes darão conhecimentos necessários para enfrentar um mundo cheio de enganações e de mentiras, onde pecados são vistos como coisas normais e onde os mandamentos de Deus são jogados às urtigas.

As famílias foram se impregnando do espírito católico, deixando de lado certos costumes muito em voga, mas que ofendem a Deus, prestando mais atenção nas leituras, gastando mais tempo na oração, vestindo-se com mais decência, diminuindo o culto da televisão (principal veículo corruptor dos costumes cristãos). O que esperamos é que a nova geração que em breve chegará, venha de casais que aprenderam como devemos nos comportar para alcançarmos a vida eterna, de pais que dêem valor à vida de oração, à busca da perfeição cristã, à prática das virtudes. Com certeza foi para isso que Nossa Senhora quis que viesse para este cantinho de Pendotiba esta modesta Associação, dando tantas provas de sua atuação ao longo desses anos. A cada um de nós de se esforçar para estar à altura dos dons de Deus.

 
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